sábado, março 18, 2017

O caminho da vida...

O Caminho da Vida

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.
A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.
Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

Charles Chaplin

Aguardando o próximo valente... Psicoterapia

Aguardando o próximo valente... Psicoterapia

"Quem conhece os outros é inteligente. Quem conhece a si mesmo é iluminado. Quem vence os outros é forte. Quem vence a si mesmo é invencível." (Lao Tse)

terça-feira, março 14, 2017

segunda-feira, março 13, 2017

Identifique o seu nível de estresse

Do chamado estado de alerta à total exaustão, aprenda como reconhecer os sintomas e as causas deste problema.

Estresse é coisa séria. O termo é usado corriqueiramente e sem tanta importância, mas especialistas alertam que sintomas comuns presentes no dia a dia podem se agravar. O estresse pode ser dividido em quatro fases, sendo a última delas uma das responsáveis por infartos e AVC, tamanho o perigo.

Conheça os sinais de cada fase do estresse:

Fase 1: Alerta 
A primeira fase do estresse é chamada de alerta. Sinais como boca seca, pés e mãos gelados mostram que a vida não está se adequando às necessidades do corpo. “Normalmente uma mudança no estilo de vida já ajuda a amenizar esses sinais”, explica o psicólogo Armando Ribeiro, coordenador do Programa de Avaliação do Estresse do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Fase 2: Resistência 
Quando não tratado, o estresse anda na fase de alerta pode evoluir para a fase dois, conhecida por fase de resistência. Nesse período, a falta de memória já se instala, há também mal estar e a sensação de desgaste físico acima do comum. Mudanças de apetite também costumam aparecer, explica o psicólogo.

Fase 3: Quase exaustão 
A fase seguinte, chamada de quase exaustão, é onde se instalam os sintomas do burn out (o esgotamento profissional), além de outros. Os órgãos que têm mais vulnerabilidade começam a mostrar sinais de deterioração e o processo de adoecimento se inicia.

Fase 4: Exaustão 
A última fase, a da exaustão, é onde podem acontecer os infartos e AVC. “A pessoa precisa de tratamento na fase de quase exaustão e exaustão. A terapia cognitivo comportamental é usada para identificar onde estão os pensamentos estressores e ensinar a pessoa a lidar com isso”, explica Ribeiro.

O psicólogo defende que além dos sintomas, é preciso também identificar a causa. “A própria medicina não está olhando para o estresse, apenas para o efeito dele. Tratam os sintomas do estresse, mas não a causa”, explica.

Para ele, a causa do problema está em pensamentos estressantes, comuns principalmente nos moradores de grandes cidades. Cabe a cada um descobrir o que desencadeia a combinação dos hormônios adrenalina e cortisol, os causadores do estresse.

A adrenalina, por exemplo, só deve ser liberada no organismo durante situações de perigo ou de esforço, como durante a corrida. O que acontece com grande parte da população é que o hormônio é liberado muitas vezes durante o dia, mesmo quando se está em repouso.

Além disso, há o vilão cortisol, que, ao contrário da adrenalina – que depois da liberação desaparece do organismo rapidamente – este outro hormônio “que tinha função de preparar o organismo para batalhas mais duradouras”, como explica Ribeiro, pode permanecer em ação durante dias, ou até mesmo semanas.

Fonte: Saúde IG

Ética Profissional da Psicologia

Uma vez um aluno me perguntou qual era a melhor abordagem psicológica frente ao sofrimento dos nossos pacientes. Imagino que ele estava pensando nas tradicionais abordagens (ex. TCC, Psicanálise e etc)... Com toda a certeza é a Ética Profissional!!! Sem ética qualquer abordagem está fadada ao fracasso... Sem ética o ganho se transformará em perda...

Equipe de Psicologia Hospitalar

Sabe qual é a mais avançada tecnologia que um hospital pode adquirir? Equipe de Psicologia Hospitalar da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Cuidando do corpo e das emoções!!!

Bastidores do programa Saúde Emocional da FOXLIFE


Bastidores das gravações do programa Saúde Emocional dos canais Bem Simples e FoxLife. Alegria que contagia!!! As gravações foram realizadas na hermosa cidade de Buenos Aires.

Todas as emoções se refletem no nosso corpo. Uma equipe de médicos ensina ferramentas para tirarmos o melhor delas e da influência que têm sobre nosso organismo.

Conheça mais sobre o programa Saúde Emocional no link da FoxLife.

Caso de menina morta em sala de aula expõe falta de apoio psicológico em escolas

Marta Avelhaneda Gonçalves faria 15 anos em junho, e a família já começava a planejar a festa. Mas o aniversário, o sonho de cursar medicina, a vida inteira de Marta ficou pelo caminho: ela morreu na última quarta-feira após uma briga com colegas da Escola Estadual Luiz de Camões, em Cachoeirinha, na Grande Porto Alegre.

Segundo a Polícia Civil, o laudo do Instituto Médico Legal indica que a jovem sofreu estrangulamento por asfixia mecânica. Mesmo assim, ainda não estão completamente esclarecidas as circunstâncias do caso e a forma como uma briga na escola, na primeira semana de aula, se transformou em morte.

Violência, preconceito, agressão e exclusão fazem parte da rotina de escolas públicas brasileiras, mostram relatos, pesquisas e análises sobre o assunto. A necessidade de ajuda para lidar com o tema é um dos argumentos em defesa do projeto de lei 3.688, em tramitação no Congresso há 17 anos, que propõe a contratação de psicólogos e assistentes sociais para assegurar a atendimento a alunos da rede pública e apoio aos professores no ambiente escolar.

Ouvidos pela BBC Brasil, psicólogos, professores e especialistas defendem o mérito e a necessidade do projeto, mas organismos como a Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) levantam dúvidas sobre sua viabilidade financeira e operacional. A proposta foi aprovada na Câmara, passou pelo Senado e voltou à Câmara.

Clima de violência

"Não conheço esse projeto, mas vejo, infelizmente, um aumento do clima de violência nas escolas. Nossos alunos estão vindo com uma agressividade profunda, que se vira contra os colegas e os professores", relatou à BBC Brasil a professora Mary Jane Corrêa, que conhecia Marta desde menina e foi vizinha da família em Porto Alegre.

Por seis meses, Mary Jane foi professora de Marta no colégio municipal onde a jovem estudou até se mudar para Cachoeirinha.

O delegado Leonel Baldasso disse que a polícia investiga a hipótese de a adolescente ter sofrido bullying na escola, mas ainda é cedo para afirmar com certeza. Colegas dela estavam sendo ouvidos na tarde desta sexta-feira na delegacia de Cachoeirinha.

De acordo com a professora Mary Jane, Marta era quieta e tranquila. Segundo ela, a família desconhece episódios repetidos de bullying sofridos pela garota. "Ela tinha acabado de entrar na escola! Queremos que tudo seja esclarecido", afirmou.

A Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul mantém desde 2012 um programa de prevenção à violência nas escolas e, segundo a coordenadora Luciane Manfro, o projeto inclui desde apoio aos alunos até terapia para professores.

"Tínhamos docentes que pediam ajuda para lidar com tanto sofrimento ou lecionar em áreas violentas", relembra a coordenadora.

O Luiz de Camões, onde Marta morreu, optou por não participar do projeto. "Com a tragédia, só temos a lamentar essa decisão, e vamos incluir a escola no programa", ressalva Manfro.

Escola não pode se omitir

Doutora em Psicologia e professora da Faculdade de Educação da Unicamp, Ângela Soligo avalia que a necessidade de psicólogos nas escolas públicas vai além da tentativa de solucionar problemas pontuais e fazer atendimento individual a alunos.

Soligo foi a coordenadora científica da pesquisa "Violência e preconceitos na escola", realizada em 2014 e 2015 por equipes de dez universidades brasileiras com alunos, pais e professores de escolas de 26 das 27 unidades da federação.

Segundo ela, os resultados, ainda não divulgados, mostram que a violência mais comum é a verbal, com xingamentos e apelidos. São também recorrentes os casos de violência física, isolamento e exclusão.

"Um componente muito importante dessa violência é o preconceito, e aí vemos o racismo, a violência contra alunos identificados como homossexuais, contra indígenas e contra alunos mais pobres", relata.

Se os alunos sofrem, os professores pedem apoio para lidar com o sofrimento, analisa a especialista: "Hoje se exige demais do professor, que já trabalha em condições precárias, tem salário baixo e enfrenta cobranças. É preciso também oferecer apoio a esse professor".

"Ter psicólogo e assistente social na escola vai resolver tudo?", questiona Soligo, e ela mesma diz que não. Entende, porém, que seria uma forma de trabalhar de modo integrado em todo o ambiente escolar, como já acontece em muitas escolas particulares.

"A escola sonha com um aluno ideal, mas tem que lidar com o aluno real e precisa acolhê-lo", afirma ela, ex-presidente da ABEP (Associação Brasileira de Ensino de Psicologia).

Qual a orientação para um professor diante de situações potenciais ou reais de violência verbal ou física? Na avaliação da especialista, professor e escola não podem jamais se omitir.

"É preciso falar com a direção, o Conselho Tutelar, buscar aliviar o sofrimento daquele aluno e encaminhar o caso para providências cabíveis", afirma.

Em sua análise, tudo o que acontece no ambiente escolar é responsabilidade da escola. No caso específico da morte de Marta, acrescenta, "é muito difícil que ninguém tenha visto nada".

Por fim, Soligo destaca a necessidade de a escola discutir o assunto com seus estudantes, pois a pior atitude é fazer de conta que nada aconteceu. "Isso agora é mais importante que qualquer conteúdo", afirma.

Com a morte de Marta, as aulas no Luiz de Camões foram suspensas e serão retomadas segunda-feira.

Mudar o foco punitivo

A Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) vê com cautela o projeto que prevê a contratação de psicólogos e assistentes sociais na rede pública.

O presidente da entidade, Alessio Costa Lima, disse que a versão inicial, que previa a contratação em cada estabelecimento, era inviável financeira e operacionalmente.

Além disso, segundo ele, parte dos municípios brasileiros ainda não consegue pagar aos docentes o piso nacional do magistério (R$ 2.298,80), e a contratação de psicólogos e assistentes sociais por valor possivelmente superior criaria conflito com os professores, figuras centrais na escola.

A Undime não calculou o impacto financeiro da iniciativa, mas defende que a contratação aconteça por intermédio das Secretarias de Saúde e Assistência Social e que o atendimento seja realizado em parceria com as escolas.

Segundo o relator do projeto na CCJ da Câmara, deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), esses dois pontos já constam da proposta modificada, que aguarda agora a votação em plenário.

"O projeto é fundamental, pois tira o foco punitivo e traz a psicologia para dentro da escola. A contratação pode ocorrer por outros órgãos públicos, mas o profissional fica à disposição da rede de ensino", afirma.

Fonte: BBC Brasil

sexta-feira, março 10, 2017

Mulheres sofrem mais com estresse do que os homens, mostra estudo

Principal reclamação das mulheres é conciliar vida profissional, domiciliar e familiar

As mulheres são mais estressadas que os homens de acordo com dados Programa de Avaliação do Estresse as Beneficência Portuguesa de São Paulo. São várias questões que provocam o problema: trabalho, as responsabilidades do lar e a família.

Segundo dados do hospital, com o pico dessas atividades, há um aumento da produção de hormônios como o cortisol e a adrenalina que atingem duas mulheres para cada homem.

De acordo com o especialista em Gestão do Estresse, Armando Ribeiro, dados do programa apontam que 90% das mulheres que procuram terapia têm queixas sobre o relacionamento, carreira ou família.

— Pouco tempo com os filhos, demandas do casamento ou mesmo o excesso de dedicação ao trabalho, aumentando as chances do aparecimento de quadros de ansiedade, pânico e depressão

Preocupação excessiva, tensão crônica, tremores, sensação de respiração curta ou sufocada, medo de perder o controle, medo de morrer ou ondas de calor são alguns dos sintomas da ansiedade relacionados ao estresse.

Ainda de acordo com o especialista, o estresse pode deixar o paciente com vulnerabilidades a doenças crônicas, como a hipertensão e a obesidade.

Segundo o psicólogo, o ideal é que a mulher saiba seu nível de estresse através de exames para que assim o tratamento adequado seja realizado. Ribeiro ainda salienta que realizar atividades que proporcionam prazer, como ler um livro, praticar atividades físicas ou ouvir música.

Cuide do coração

Segundo um artigo publicado no Therapeutic Advances in Cardiovascular in Disease (Avanços Terapêuticos em Doenças Cardiovasculares), as mulheres apresentam de 30 a 40% mais chances que os homens de desenvolverem doenças cardiovasculares com o mesmo nível de pressão arterial.

O cardiologista, Otavio Bebara afirma que as doenças cardiovasculares têm aumentado devido ao atual estio de vida das mulheres.

— Nos últimos tempos, elas passaram a se expor a fatores de risco, como estresse e tabagismo. Além disso, o tamanho de suas artérias é menor que o dos homens, o que pode favorecer o estreitamento e a obstrução dos vasos

Segundo Bebara, a prática regular de exercícios físicos aliada a uma alimentação balanceada e os exames preventivos regulares são as melhores maneiras de sempre estar a um passo a frente desses problemas.

Fonte: R7

Estresse é um problema. Para a mulher, duas vezes pior!

Estresse é um problema. Para a mulher, duas vezes pior! Situação surge na infância, diz especialista. http://goo.gl/ApHohI

quinta-feira, março 09, 2017

Cozinhaterapia...

Muitos adoram comer, mas tem gente que vem redescobrindo o prazer de cozinhar...

Resgatar o hábito de cozinhar com prazer pode ajudar na redução do estresse diário e aumentar o bem-estar. "Cozinhaterapia" é uma das formas simples de se cultivar o poder do momento presente, através da atenção plena (mindfulness). "É preciso descobrir ou redescobrir o prazer de cozinhar, tem que saborear não só o prato pronto, mas todo o processo que vem antes, a preparação". Participação do Prof Armando Ribeiro no Jornal da TV Cultura.

terça-feira, março 07, 2017

Pacientes são mais propensos a recusar tratamento medicamentoso do que psicoterapia para a saúde mental

Indivíduos que já estão em terapia medicamentosa também têm maior probabilidade de interromper o tratamento cedo, diz estudo

ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSICOLOGIA

As pessoas que buscam ajuda para transtornos mentais são mais propensos a recusar ou não completar o tratamento recomendado se envolve apenas psicotrópicos, de acordo com uma revisão da pesquisa publicada pela American Psychological Association.

Os pesquisadores realizaram uma meta-análise de 186 estudos de pacientes que procuram ajuda para problemas de saúde mental que examinaram se eles aceitaram o tratamento que foi recomendado e se eles fizeram, se eles concluíram. Cinqüenta e sete dos estudos, incluindo 6.693 pacientes, apresentaram um componente que relatou recusa de recomendações de tratamento, e 182 dos estudos, compreendendo 17.891 pacientes, apresentaram um componente relatando a interrupção prematura do tratamento.

Após o diagnóstico, os pacientes nos estudos foram recomendados para a terapia de drogas (farmacoterapia), terapia de conversa (psicoterapia) ou uma combinação dos dois.

"Descobrimos que as taxas de recusa de tratamento foram cerca de duas vezes maiores para a farmacoterapia sozinho, em comparação com a psicoterapia sozinho, particularmente para o tratamento do transtorno de ansiedade social, transtornos depressivos e transtorno do pânico", disse o pesquisador Joshua Swift, PhD, da Idaho State University. "Taxas de término prematuro da terapia também foram mais elevados para farmacoterapia sozinho, em comparação com psicoterapia sozinho, particularmente para anorexia / bulimia e transtornos depressivos."

A pesquisa foi publicada na revista APA Psychotherapy .

Em todos os estudos, a taxa média de recusa de tratamento foi de 8,2 por cento. Pacientes que receberam apenas farmacoterapia foram 1,76 vezes mais propensos a recusar tratamento do que pacientes que receberam apenas psicoterapia. Uma vez no tratamento, a taxa média de terminação prematura foi de 21,9 por cento, com os doentes em regime de droga apenas 1,2 vezes mais probabilidades de abandonar cedo. Não houve diferença significativa para as taxas de recusa ou abandono entre a farmacoterapia isolada e os tratamentos combinados, ou entre a psicoterapia sozinha e os tratamentos combinados.

Enquanto Swift disse que as conclusões em geral foram esperadas, os pesquisadores ficaram mais surpresos com o quão grande as diferenças foram para alguns distúrbios. Por exemplo, pacientes com diagnóstico de transtorno depressivo foram 2,16 vezes mais propensos a recusar farmacoterapia sozinhos e pacientes com transtornos de pânico foram quase três vezes mais propensos a recusar farmacoterapia sozinho.

Os achados são especialmente interessantes porque, como resultado de um acesso mais fácil, tendências recentes mostram que uma maior porcentagem de pacientes de saúde mental nos EUA estão envolvidos em farmacoterapia do que psicoterapia, de acordo com o co-autor Roger Greenberg, PhD, SUNY Upstate Medical University.

Alguns especialistas argumentaram que a psicoterapia deve ser a primeira opção de tratamento para muitos transtornos de saúde mental. Esses argumentos têm sido largamente baseados em bons resultados de tratamento para terapia de conversa com menos efeitos colaterais e menores taxas de recaída, disse Greenberg. "Nossas descobertas apoiar esse argumento, mostrando que os clientes são mais propensos a estar dispostos a iniciar e continuar psicoterapia do que farmacoterapia."

Swift e Greenberg teorizaram que os pacientes podem estar mais dispostos a se envolver em psicoterapia porque muitos indivíduos que experimentam problemas de saúde mental reconhecem que a fonte de seus problemas pode não ser inteiramente biológica.

"Os pacientes muitas vezes desejam uma oportunidade de conversar e trabalhar com seus problemas com um indivíduo cuidadoso que pode ser capaz de ajudá-los a enfrentar melhor suas experiências emocionais", disse Greenberg. "As medicações psicotrópicas podem ajudar muitas pessoas e acho que algumas vêem-nas como uma solução relativamente fácil e potencialmente rápida, mas penso que os outros consideram os seus problemas mais complexos e preocupam-se com o facto de os medicamentos fornecerem apenas uma solução temporária ou de superfície para As dificuldades que enfrentam em suas vidas. "

Embora a meta-análise forneça informações sobre as taxas de recusa e abandono, os estudos não relatam as razões dos pacientes para suas ações, Swift observou. Indo para a frente, a pesquisa projetada identificar estas razões pôde conduzir às estratégias adicionais para melhorar a taxa do início e da conclusão para ambas as terapias, ele disse. Também é importante notar que os participantes nos estudos de pesquisa inicialmente indicaram que estavam dispostos a ser atribuídos a qualquer terapia e, portanto, podem não ser representativos de todos os consumidores de tratamento.

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Artigo : "Recusa de tratamento e terminação prematura em psicoterapia , farmacoterapia e sua combinação: uma meta-análise de comparações cabeça a cabeça", por Joshua Swift, PhD, Idaho State University; Roger Greenberg, PhD, SUNY Upstate Medical University; Kelley Tompkins, MSc, Universidade de Alaska Anchorage; E Susannah Parkin, BA, Idaho State University. Psicoterapia , publicado on-line em 6 de março de 2017..

A American Psychological Association, em Washington, DC, é a maior organização científica e profissional que representa a psicologia nos Estados Unidos. A associação da APA inclui quase 115.700 pesquisadores, educadores, clínicos, consultores e estudantes. Através de suas divisões em 54 subcampos de psicologia e afiliações com 60 associações provinciais estaduais, territoriais e canadenses, a APA trabalha para promover a criação, comunicação e aplicação do conhecimento psicológico para beneficiar a sociedade e melhorar a vida das pessoas.

Fonte: EurekeAlert

Psicoterapia é preferível do que apenas medicação


Uma nova revisão conclui que as pessoas que procuram ajuda para transtornos mentais são mais propensos a recusar ou não completar o tratamento recomendado se envolve apenas psicotrópicos.

Os pesquisadores realizaram uma meta-análise de 186 estudos de pacientes que procuram ajuda para problemas de saúde mental. Os pesquisadores examinaram se os indivíduos aceitavam o tratamento recomendado e se eles o faziam, se eles o completaram.

Cinqüenta e sete dos estudos, incluindo 6.693 pacientes, apresentaram um componente que relatou recusa de recomendações de tratamento, e 182 dos estudos, compreendendo 17.891 pacientes, apresentaram um componente relatando a interrupção prematura do tratamento.

Nos estudos revisados, os pacientes foram recomendados para a terapia apenas de drogas (farmacoterapia), terapia de conversa (psicoterapia) ou uma combinação dos dois.

"Descobrimos que as taxas de recusa de tratamento foram cerca de duas vezes maiores para a farmacoterapia sozinho em comparação com a psicoterapia sozinho, particularmente para o tratamento do transtorno de ansiedade social, transtornos depressivos e transtorno do pânico ", disse o pesquisador Joshua Swift, Ph.D., Universidade Estadual de Idaho.

"Taxas de término prematuro da terapia também foram mais elevados para farmacoterapia sozinho, em comparação com psicoterapia sozinho, particularmente para anorexia / bulimia e transtornos depressivos."

A pesquisa aparece na revista Psychotherapy.

Para todos os estudos, a taxa média de recusa de tratamento foi de 8,2 por cento. Pacientes que receberam apenas farmacoterapia foram 1,76 vezes mais propensos a recusar tratamento do que pacientes que receberam apenas psicoterapia.

Uma vez no tratamento, a taxa média de terminação prematura foi de 21,9 por cento, com os doentes em regime de droga apenas 1,2 vezes mais probabilidades de abandonar cedo.

Não houve diferença significativa para as taxas de recusa ou abandono entre a farmacoterapia isolada e os tratamentos combinados, ou entre a psicoterapia sozinha e os tratamentos combinados.

Enquanto Swift disse que as conclusões em geral foram esperadas, os pesquisadores ficaram mais surpresos com o quão grande as diferenças foram para alguns distúrbios.

Por exemplo, pacientes com diagnóstico de transtorno depressivo foram 2,16 vezes mais propensos a recusar farmacoterapia sozinhos e pacientes com transtornos de pânico foram quase três vezes mais propensos a recusar farmacoterapia sozinho.

Os achados parecem estar em desacordo com a prática atual. De fato, as tendências recentes mostram que uma maior porcentagem de pacientes de saúde mental nos EUA estão envolvidos em farmacoterapia ao invés de psicoterapia, afirma o co-autor Roger Greenberg, Ph.D., SUNY Upstate Medical University.

Alguns especialistas argumentaram que a psicoterapia deve ser a primeira opção de tratamento para muitos transtornos de saúde mental. Esses argumentos têm sido largamente baseados em bons resultados de tratamento para terapia de conversa com menos efeitos colaterais e menores taxas de recaída, disse Greenberg.

"Nossas descobertas apoiam esse argumento, mostrando que os clientes são mais propensos a estar dispostos a iniciar e continuar psicoterapia do que farmacoterapia."

Swift e Greenberg teorizaram que os pacientes podem estar mais dispostos a se envolver em psicoterapia porque muitos indivíduos que experimentam problemas de saúde mental reconhecem que a fonte de seus problemas pode não ser inteiramente biológica.

"Os pacientes muitas vezes desejam uma oportunidade de conversar e trabalhar com seus problemas com um indivíduo cuidadoso que pode ser capaz de ajudá-los a enfrentar melhor suas experiências emocionais", disse Greenberg.

"As medicações psicotrópicas podem ajudar muitas pessoas e acho que algumas vêem-nas como uma solução relativamente fácil e potencialmente rápida, mas penso que os outros consideram os seus problemas mais complexos e preocupam-se com o fato de os medicamentos fornecerem apenas uma solução temporária ou superficial para as dificuldades que enfrentam em suas vidas."

Embora a meta-análise forneça informações sobre as taxas de recusa e abandono, os estudos não relatam as razões dos pacientes para suas ações, observou Swift.

No futuro, a pesquisa identificará as razões para se conduzir estratégias adicionais para melhorar a taxa do início e da conclusão para ambas as terapias, ele disse.

Também é importante notar que os participantes nos estudos de pesquisa inicialmente indicaram que estavam dispostos a ser atribuídos a qualquer terapia e, portanto, podem não ser representativos de todos os consumidores de tratamento.

Título original: "Psychotherapy-Only Treatment Seen As Preferred to Drugs-Only"

segunda-feira, março 06, 2017

Cuidado com o stress

Cuidado com o stress; mais vale chegar atrasado neste mundo do que adiantado no outro...

A epidemia de doença mental

A epidemia de doença mental. Por que cresce assombrosamente o número de pessoas com transtornos mentais e de pacientes tratados com antidepressivos e outros medicamentos psicoativos?

Parece que os americanos estão em meio a uma violenta epidemia de doenças mentais. A quantidade de pessoas incapacitadas por transtornos mentais, e com direito a receber a renda de seguridade suplementar ou o seguro por incapacidade, aumentou quase duas vezes e meia entre 1987 e 2007 – de 1 em cada 184 americanos passou para 1 em 76.

No que se refere às crianças, o número é ainda mais espantoso: um aumento de 35 vezes nas mesmas duas décadas. A doença mental é hoje a principal causa de incapacitação de crianças, bem à frente de deficiências físicas como a paralisia cerebral ou a síndrome de Down.

Um grande estudo de adultos (selecionados aleatoriamente), patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, realizado entre 2001 e 2003, descobriu que um percentual assombroso de 46% se encaixava nos critérios estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria, por ter tido em algum momento de suas vidas pelo menos uma doença mental, entre quatro categorias.

As categorias seriam “transtornos de ansiedade”, que incluem fobias e estresse pós-traumático; “transtornos de humor”, como depressão e transtorno bipolar; “transtornos de controle dos impulsos”, que abrangem problemas de comportamento e de déficit de atenção/hiperatividade; e “transtornos causados pelo uso de substâncias”, como o abuso de álcool e drogas. A maioria dos pesquisados se encaixava em mais de um diagnóstico.

O tratamento médico desses transtornos quase sempre implica o uso de drogas psicoativas, os medicamentos que afetam o estado mental.Na verdade, a maioria dos psiquiatras usa apenas remédios no tratamento e encaminha os pacientes para psicólogos ou terapeutas se acha que uma psicoterapia é igualmente necessária.

A substituição da “terapia de conversa” pela das drogas como tratamento majoritário coincide com o surgimento, nas últimas quatro décadas, da teoria de que as doenças mentais são causadas por desequilíbrios químicos no cérebro, que podem ser corrigidos pelo uso de medicamentos. Essa teoria passou a ser amplamente aceita pela mídia e pelo público, bem como pelos médicos, depois que o Prozac chegou ao mercado, em 1987, e foi intensamente divulgado como um corretivo para a deficiência de serotonina no cérebro.

O número de pessoas depressivas tratadas triplicou nos dez anos seguintes e, hoje, cerca de 10% dos americanos com mais de 6 anos de idade tomam antidepressivos. O aumento do uso de drogas para tratar a psicose é ainda mais impressionante. A nova geração de antipsicóticos, como o Risperdal, o Zyprexa e o Seroquel, ultrapassou os redutores do colesterol no topo da lista de remédios mais vendidos nos Estados Unidos.

O que está acontecendo? A preponderância das doenças mentais sobre as físicas é de fato tão alta, e continua a crescer? Se os transtornos mentais são biologicamente determinados e não um produto de influências ambientais, é plausível supor que o seu crescimento seja real? Ou será que estamos aprendendo a diagnosticar transtornos mentais que sempre existiram? Ou, por outro lado, será que simplesmente ampliamos os critérios para definir as doenças mentais, de modo que quase todo mundo agora sofre de uma delas? E o que dizer dos medicamentos que viraram a base dos tratamentos? Eles funcionam? E, se funcionam, não deveríamos esperar que o número de doentes mentais estivesse em declínio e não em ascensão?

Essas são as questões que preocupam os autores de três livros provocativos, aqui analisados. Eles vêm de diferentes formações: Irving Kirsch é psicólogo da Universidade de Hull, no Reino Unido; Robert Whitaker é jornalista; e Daniel Carlat é um psiquiatra que clinica num subúrbio de Boston.

Os autores enfatizam diferentes aspectos da epidemia de doença mental. Kirsch está preocupado em saber se os antidepressivos funcionam. Whitaker pergunta se as drogas psicoativas não criam problemas piores do que aqueles que resolvem. Carlat examina como a sua profissão se aliou à indústria farmacêutica e é manipulada por ela. Mas, apesar de suas diferenças, os três estão de acordo sobre algumas questões importantes.

Em primeiro lugar, concordam que é preocupante a extensão com a qual as empresas que vendem drogas psicoativas – por meio de várias formas de marketing, tanto legal como ilegal, e usando o que muita gente chamaria de suborno – passaram a determinar o que constitui uma doença mental e como os distúrbios devem ser diagnosticados e tratados.

Em segundo lugar, nenhum dos três aceita a teoria de que a doença mental é provocada por um desequilíbrio químico no cérebro. Whitaker conta que essa teoria surgiu pouco depois que os remédios psicotrópicos foram introduzidos no mercado, na década de 50. O primeiro foi o Amplictil (clorpromazina), lançado em 1954, que rapidamente passou a ser muito usado em hospitais psiquiátricos, para acalmar pacientes psicóticos, sobretudo os com esquizofrenia. No ano seguinte, chegou o Miltown (meprobamato), vendido para tratar a ansiedade em pacientes ambulatoriais. Em 1957, o Marsilid (iproniazid) entrou no mercado como um “energizador psíquico” para tratar a depressão.

Desse modo, no curto espaço de três anos, tornaram-se disponíveis medicamentos para tratar aquelas que, na época, eram consideradas as três principais categorias de doença mental – ansiedade, psicose e depressão – e a psiquiatria transformou-se totalmente. Essas drogas, no entanto, não haviam sido desenvolvidas para tratar doenças mentais. Elas foram derivadas de remédios destinados ao combate de infecções, e se descobriu por acaso que alteravam o estado mental.

No início, ninguém tinha ideia de como funcionavam. Elas simplesmente embotavam sintomas mentais perturbadores. Durante a década seguinte, pesquisadores descobriram que essas drogas afetavam os níveis de certas substâncias químicas no cérebro.

Quando se descobriu que as drogas psicoativas afetam os níveis de neurotransmissores, surgiu a teoria de que a causa da doença mental é uma anormalidade na concentração cerebral desses elementos químicos, a qual é combatida pelo medicamento apropriado.

Por exemplo: como o Thorazine diminui os níveis de dopamina no cérebro, postulou-se que psicoses como a esquizofrenia são causadas ​​por excesso de dopamina. Ou então: tendo em vista que alguns antidepressivos aumentam os níveis do neurotransmissor chamado serotonina, defendeu-se que a depressão é causada pela escassez de serotonina. Antidepressivos como o Prozac ou o Celexa impedem a reabsorção de serotonina pelos neurônios que a liberam, e assim ela permanece mais nas sinapses e ativa outros neurônios. Desse modo, em vez de desenvolver um medicamento para tratar uma anormalidade, uma anormalidade foi postulada para se adequar a um medicamento.

Trata-se de uma grande pirueta lógica, como apontam os três autores. Era perfeitamente possível que as drogas que afetam os níveis dos neurotransmissores pudessem aliviar os sintomas, mesmo que os neurotransmissores não tivessem nada a ver com a doença. Como escreve Carlat: “Por essa mesma lógica, se poderia argumentar que a causa de todos os estados de dor é uma deficiência de opiáceos, uma vez que analgésicos narcóticos ativam os receptores de opiáceos do cérebro.” Ou, do mesmo modo, se poderia dizer que as febres são causadas pela escassez de aspirina.

Mas o principal problema com essa teoria é que, após décadas tentando prová-la, os pesquisadores ainda estão de mãos vazias. Os três autores documentam o fracasso dos cientistas para encontrar boas provas a seu favor. Antes do tratamento, a função dos neurotransmissores parece ser normal nas pessoas com doença mental. Nas palavras de Whitaker:

Antes do tratamento, os pacientes diagnosticados com depressão, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos não sofrem nenhum “desequilíbrio químico”. No entanto, depois que uma pessoa passa a tomar medicação psiquiátrica, que perturba a mecânica normal de uma via neuronal, seu cérebro começa a funcionar… anormalmente.

Carlat refere-se à teoria do desequilíbrio químico como um “mito” (que ele chama de “conveniente” porque reduziria o estigma da doença mental). E Kirsch,cujo livro centra-se na depressão, resume a questão assim: “Parece fora de dúvida que o conceito tradicional de considerar a depressão como um desequilíbrio químico no cérebro está simplesmente errado.” (O motivo da persistência dessa teoria, apesar da falta de provas, é um tema que tratarei adiante.)

Os remédios funcionam? Afinal de contas, independentemente da teoria, essa é a questão prática. Em seu livro seco e extremamente cativante, The Emperor’s New Drugs [As Novas Drogas do Imperador], Kirsch descreve os seus quinze anos de pesquisa científica para responder a essa pergunta, no que diz respeito aos antidepressivos.

Quando começou o trabalho em 1995, seu principal interesse eram os efeitos de placebos. Para estudá-los, ele e um colega revisaram 38 ensaios clínicos que comparavam vários tratamentos da depressão com placebos, ou comparavam a psicoterapia com nenhum tratamento. A maioria dessas experiências durava de seis a oito semanas, e durante esse período os pacientes tendiam a melhorar um pouco, mesmo se não tivessem nenhum tratamento.

Mas Kirsch descobriu que os placebos eram três vezes mais eficazes do que a ausência de tratamento. Isso não o surpreendeu. O que o surpreendeu mesmo foi que os antidepressivos foram apenas marginalmente mais úteis do que os placebos: 75% dos placebos foram tão eficazes quanto os antidepressivos. Kirsch resolveu então repetir o estudo, dessa vez com a análise de um conjunto de dados mais completo e padronizado.

Os dados que ele usou foram obtidos da Food and Drug Administration, a FDA [o órgão público americano encarregado do licenciamento e controle de medicamentos]. Quando buscam a aprovação da FDA para comercializar um novo remédio, os laboratórios farmacêuticos devem apresentar à agência todos os testes clínicos que patrocinaram. Os testes são geralmente duplo-cego e controlados com placebo. Ou seja: os pacientes participantes recebem aleatoriamente a droga ou o placebo, e nem eles nem os seus médicos sabem o que receberam.

Os pacientes são informados de que receberão ou um medicamento ativo ou um placebo. E também são avisados dos efeitos colaterais que podem ocorrer. Se dois testes comprovam que o medicamento é mais eficaz do que o placebo, ele é geralmente aprovado. Mas os laboratórios podem patrocinar quantos testes quiserem, e a maioria deles pode dar negativo – isto é, não mostrar a eficácia do remédio. Tudo o que eles precisam é de dois testes com resultados positivos. (Os resultados dos testes de um mesmo medicamento podem variar por muitas razões, entre elas a forma como o ensaio foi concebido e realizado, seu tamanho e os tipos de pacientes pesquisados.)

Por razões óbvias, as indústrias farmacêuticas fazem questão de que seus testes positivos sejam publicados em revistas médicas, e os médicos fiquem sabendo deles. Já os testes negativos ficam nas gavetas da FDA, que os considera propriedade privada e, portanto, confidenciais. Essa prática distorce a literatura médica, o ensino da medicina e as decisões de tratamento.

Kirsch e seus colegas usaram a Lei de Liberdade de Informação para obter as revisões da FDA de todos os testes clínicos controlados por placebo, positivos ou negativos, submetidos para a aprovação dos seis antidepressivos mais utilizados, aprovados entre 1987 e 1999: Prozac, Paxil, Zoloft, Celexa, Serzone e Effexor.

Ao todo, havia 42 testes das seis drogas. A maioria deles era negativo. No total, os placebos eram 82% tão eficazes quanto os medicamentos, tal como medido pela Escala de Depressão de Hamilton, uma classificação dos sintomas de depressão amplamente utilizada. A diferença média entre remédio e placebo era de apenas 1,8 ponto na Escala, uma diferença que, embora estatisticamente significativa, era insignificante do ponto de vista clínico. Os resultados foram quase os mesmos para as seis drogas: todos igualmente inexpressivos. No entanto, como os estudos positivos foram amplamente divulgados, enquanto os negativos eram escondidos, o público e os médicos passaram a acreditar que esses medicamentos antidepressivos eram altamente eficazes.

Kirsch ficou impressionado com outro achado inesperado. Em seu estudo anterior, e em trabalhos de outros, observara que até mesmo tratamentos com substâncias que não eram consideradas antidepressivas – como hormônio sintético da tireoide, opiáceos, sedativos, estimulantes e algumas ervas medicinais – eram tão eficazes quanto os antidepressivos para aliviar os sintomas da depressão. Kirsch escreve: “Quando administrados como antidepressivos, remédios que aumentam, diminuem ou não têm nenhuma influência sobre a serotonina aliviam a depressão mais ou menos no mesmo grau.”

O que todos esses medicamentos “eficazes” tinham em comum era que produziam efeitos colaterais, sobre os quais os pacientes participantes haviam sido informados de que poderiam ocorrer.

Diante da descoberta de que quase qualquer comprimido com efeitos colaterais era ligeiramente mais eficaz no tratamento da depressão do que um placebo, Kirsch especulou que a presença de efeitos colaterais em indivíduos que recebem medicamentos lhes permitia adivinhar que recebiam tratamento ativo – e isso foi corroborado por entrevistas com pacientes e médicos –, o que os tornava mais propensos a relatar uma melhora. Ele sugere que a razão pela qual os antidepressivos parecem funcionar melhor no alívio de depressão grave do que em casos menos graves é que os pacientes com sintomas graves provavelmente tomam doses mais elevadas e, portanto, sofrem mais efeitos colaterais.

Kirsch registrou outras descobertas estranhas em testes clínicos de antidepressivos, entre elas o fato de que não há nenhuma curva de dose-resposta, ou seja, altas doses não funcionavam melhor do que as baixas, o que é extremamente improvável para medicamentos eficazes.

“Ao se juntar tudo isso”, escreve Kirsch,“chega-se à conclusão de que a diferença relativamente pequena entre medicamentos e placebos pode não ser um efeito verdadeiro do remédio. Em vez disso, pode ser um efeito placebo acentuado, produzido pelo fato de que alguns pacientes passaram a perceber que recebiam medicamentos ou placebos. Se este for o caso, então não há nenhum efeito antidepressivo dos medicamentos. Em vez de compararmos placebo com remédio, estávamos comparando placebos ‘normais’ com placebos ‘extrafortes’.”

Trata-se de uma conclusão surpreendente, que desafia a opinião médica, mas Kirsch chega a ela de uma forma cuidadosa e lógica. Psiquiatras que usam antidepressivos – e isso significa a maioria deles – e pacientes que os tomam talvez insistam que sabem por experiência clínica que os medicamentos funcionam.

Mas casos individuais são uma forma traiçoeira de avaliar tratamentos médicos, pois estão sujeitos a distorções. Eles podem sugerir hipóteses a serem estudadas, mas não podem prová-las. É por isso que o desenvolvimento do teste clínico duplo-cego, aleatório e controlado com placebo, foi um avanço tão importante na ciência médica, em meados do século passado. Histórias sobre sanguessugas, megadoses de vitamina cou vários outros tratamentos populares não suportariam o escrutínio de testes bem planejados. Kirsch é um defensor devotado do método científico e sua voz, portanto, traz objetividade a um tema muitas vezes influenciado por subjetividade, emoções ou, como veremos, interesse pessoal.

O livro de Whitaker, Anatomy of an Epidemic [Anatomia de uma Epidemia], é mais amplo e polêmico. Ele leva em conta todas as doenças mentais, não apenas a depressão. Enquanto Kirsch conclui que os antidepressivos não são provavelmente mais eficazes do que placebos, Whitaker conclui que eles e a maioria das drogas psicoativas não são apenas ineficazes, mas prejudiciais. Whitaker começa por observar que, se o tratamento de doenças mentais por meio de medicamentos disparou, o mesmo aconteceu com as patologias tratadas:

O número de doentes mentais incapacitados aumentou imensamente desde 1955 e durante as duas últimas décadas, período em que a prescrição de medicamentos psiquiátricos explodiu e o número de adultos e crianças incapacitados por doença mental aumentou numa taxa alucinante. Assim, chegamos a uma pergunta óbvia, embora herética: o paradigma de tratamento baseado em drogas poderia estar alimentando, de alguma maneira imprevista, essa praga dos tempos modernos?

Se as drogas psicoativas causam danos, como afirma Whitaker, qual é o seu mecanismo? A resposta, ele acredita, encontra-se em seus efeitos sobre os neurotransmissores. É bem sabido que as drogas psicoativas perturbam os neurotransmissores, mesmo que essa não seja a causa primeira da doença.

Whitaker descreve uma cadeia de efeitos. Quando, por exemplo, um antidepressivo como o Celexa aumenta os níveis de serotonina nas sinapses, ele estimula mudanças compensatórias por meio de um processo chamado feedback negativo. Em reação aos altos níveis de serotonina, os neurônios que a secretam liberam menos dela, e os neurônios pós-sinápticos tornam-se insensíveis a ela. Na verdade, o cérebro está tentando anular os efeitos da droga. O mesmo vale para os medicamentos que bloqueiam neurotransmissores, exceto no sentido inverso.

A maioria dos antipsicóticos, por exemplo, bloqueia a dopamina, mas os neurônios pré-sinápticos compensam isso liberando mais dopamina, e os neurônios pós-sinápticos a aceitam com mais avidez.

As consequências do uso prolongado de drogas psicoativas, nas palavras de Steve Hyman, até recentemente reitor da Universidade de Harvard, são “alterações substanciais e de longa duração na função neural”.

Depois de várias semanas de drogas psicoativas, os esforços de compensação do cérebro começam a falhar e surgem efeitos colaterais que refletem o mecanismo de ação dos medicamentos. Antipsicóticos causam efeitos secundários que se assemelham ao mal de Parkinson, por causa do esgotamento de dopamina (que também se esgota no Parkinson). À medida que surgem efeitos colaterais, eles são tratados por outros medicamentos, e muitos pacientes acabam tomando um coquetel de drogas psicoativas, prescrito para um coquetel de diagnósticos. Os episódios de mania causada por antidepressivos podem levar a um novo diagnóstico de “transtorno bipolar” e ao tratamento com um “estabilizador de humor”, como Depokote (anticonvulsivo), acompanhado de uma das novas drogas antipsicóticas. E assim por diante.

A respeitada pesquisadora Nancy Andreasen e seus colegas publicaram indícios de que o uso de antipsicóticos está associado ao encolhimento do cérebro, e que o efeito está diretamente relacionado à dose e à duração do tratamento. Como Andreasen explicou ao New York Times: “O córtex pré-frontal não obtém o que precisa e vai sendo fechado pelos medicamentos. Isso reduz os sintomas psicóticos. E faz também com que o córtex pré-frontal se atrofie lentamente.”

Largar os remédios é extremamente difícil, segundo Whitaker, porque quando eles são retirados, os mecanismos compensatórios ficam sem oposição. Quando se retira o Celexa, os níveis de serotonina caem bruscamente porque os neurônios pré-sinápticos não estão liberando quantidades normais. Da mesma forma, quando se suspende um antipsicótico, os níveis de dopamina podem disparar.Os sintomas produzidos pela retirada de drogas psicoativas são confundidos com recaídas da doença original, o que pode levar psiquiatras a retomar o tratamento com remédios, talvez em doses mais elevadas.

Whitaker está indignado com o que considera uma epidemia iatrogênica (isto é, introduzida inadvertidamente pelos médicos) de disfunção cerebral, especialmente a causada pelo uso generalizado dos novos antipsicóticos, como o Zyprexa, que provoca graves efeitos colaterais. Eis o que ele chama de “experimento de pensamento rápido”:

Imagine que aparece de repente um vírus que faz com que as pessoas durmam doze, catorze horas por dia. As pessoas infectadas se movimentam devagar e parecem emocionalmente desligadas. Muitas ganham quantidades imensas de peso – 10, 20 e até 50 quilos. Os seus níveis de açúcar no sangue disparam, assim como os de colesterol.

Vários dos atingidos pela doença misteriosa – entre eles, crianças e adolescentes – se tornam diabéticos. O governo federal dá centenas de milhões de dólares aos cientistas para decifrar o funcionamento do vírus, e eles relatam que ele bloqueia uma multidão de receptores no cérebro. Enquanto isso, exames de ressonância magnética descobrem que, ao longo de vários anos, o vírus encolhe o córtex cerebral, e esta diminuição está ligada ao declínio cognitivo. O público aterrorizado clama por uma cura.

Ora, essa doença está, de fato, atingindo milhões de crianças e adultos. Acabamos de descrever os efeitos do antipsicótico Zyprexa, um dos mais vendidos do laboratório Eli Lilly.

Leon Eisenberg, professor da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Medicina de Harvard, escreveu que a psiquiatria americana passou,no final do século XX, de uma fase “descerebrada” para uma “desmentalizada”. Ele quis dizer que, antes das drogas psicoativas, os psiquiatras tinham pouco interesse por neurotransmissores ou outros aspectos físicos do cérebro. Em vez disso, aceitavam a visão freudiana de que a doença mental tinha suas raízes em conflitos inconscientes, geralmente com origem na infância, que afetavam a mente como se ela fosse separada do cérebro.

Com a entrada em cena dessas drogas, na década de 50 – processo que se acelerou na década de 80 –, o foco mudou para o cérebro. Os psiquiatras começaram a se referir a si mesmos como psicofarmacologistas, e se interessaram cada vez menos pelas histórias de vida dos pacientes.

A preocupação deles era eliminar ou reduzir os sintomas, tratando os pacientes com medicamentos que alterariam a função cerebral. Tendo sido um dos primeiros defensores do modelo biológico de doença mental, Eisenberg veio a se tornar um crítico do uso indiscriminado de drogas psicoativas, impulsionado pelas maquinações da indústria farmacêutica.

Quando as drogas psicoativas surgiram, houve um período de otimismo na profissão psiquiátrica, mas na década de 70 o otimismo deu lugar a uma sensação de ameaça. Ficaram claros os graves efeitos colaterais dos medicamentos e um movimento de antipsiquiatria lançou raízes, como exemplificam os escritos de Thomas Szasz e o filme Um Estranho no Ninho.

Havia também a concorrência crescente de psicólogos e terapeutas. Além disso, os psiquiatras sofreram divisões internas: alguns abraçaram o modelo biológico, outros se agarraram ao modelo freudiano, e uns poucos viam a doença mental como uma resposta sadia a um mundo insano. Ademais, dentro da medicina, os psiquiatras eram considerados uma espécie de parentes pobres: mesmo com suas novas drogas, eram vistos como menos científicos do que os outros especialistas, e sua renda era geralmente mais baixa.

No final da década de 70, os psiquiatras contra-atacaram, e com força. Como conta Robert Whitaker em Anatomy of an Epidemic, o diretor médico da Associação Americana de Psiquiatria, Melvin Sabshin, declarou, em 1977: “Devemos apoiar fortemente um esforço vigoroso para remedicalizar a psiquiatria.” E lançou uma campanha maciça de relações públicas para fazer exatamente isso.

A psiquiatria detinha uma arma poderosa, que seus concorrentes não podiam ter. Como cursaram medicina, os psiquiatras têm autoridade legal para escrever receitas. Ao abraçar o modelo biológico de doença mental, e o uso de drogas psicoativas para tratá-la, a psiquiatria conseguiu relegar os outros prestadores de serviços de saúde mental para cargos secundários. E se apresentou também como uma disciplina científica. E, o que é mais importante, ao enfatizar o tratamento medicamentoso, a psiquiatria tornou-se a queridinha da indústria farmacêutica, que logo tornou tangível sua gratidão.

Associação Americana de Psiquiatria, a APA, estava preparando então a terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM, que estabelece os critérios de diagnóstico para todos os transtornos mentais. O presidente da Associação havia indicado Robert Spitzer, eminente professor de psiquiatria da Universidade de Columbia, para chefiar a força-tarefa que supervisionaria o Manual.

As duas primeiras edições, publicadas em 1952 e 1968, refletiam a visão freudiana da doença mental, e eram pouco conhecidas fora da profissão. Spitzer decidiu fazer da terceira edição, o DSM-III, algo bem diferente. Ele prometeu que o Manual seria “uma defesa do modelo médico aplicado a problemas psiquiátricos”, e o presidente da Associação, Jack Weinberg, disse que ele “deixaria claro para quem tivesse dúvidas que consideramos a psiquiatria uma especialidade da medicina”.

Quando foi publicado, em 1980, o DSM-III continha 265 diagnósticos (acima dos 182 da edição anterior) e logo teve um uso quase universal: não apenas por parte de psiquiatras, mas também por companhias de seguros, hospitais, tribunais, prisões, escolas, pesquisadores, agências governamentais e médicos de todas as especialidades. Seu principal objetivo era trazer coerência (normalmente chamada de “confiabilidade”) ao diagnóstico psiquiátrico. Ou seja, garantir que os psiquiatras que viam o mesmo paciente concordassem com o diagnóstico. Para isso, cada diagnóstico era definido por uma lista de sintomas, com limites numéricos. Por exemplo, ter pelo menos cinco de nove sintomas determinados garantia ao paciente um diagnóstico definitivo de episódio depressivo dentro da ampla categoria de “transtornos do humor”.

Mas havia outro objetivo: justificar o uso de drogas psicoativas. Com efeito, Carol Bernstein, a presidente da apa, reconheceu isso ao escrever: “Na década de 70, foi preciso facilitar um acordo sobre diagnósticos entre clínicos, cientistas e autoridades reguladoras, dada a necessidade de ligar os pacientes aos novos tratamentos farmacológicos.”

A terceira edição do Manual era talvez mais “confiável” do que as versões anteriores, mas confiabilidade não é a mesma coisa que validade. O termo confiabilidade é usado como sinônimo de “coerência”; validade refere-se à correção ou solidez. Se todos os médicos concordassem que as sardas são um sinal de câncer, o diagnóstico seria “confiável”, mas não válido.

DSM se tornou a bíblia da psiquiatria e, tal como a Bíblia cristã, dependia muito de algo parecido com a fé: não há nele citações de estudos científicos para sustentar suas decisões. É uma omissão espantosa, porque em todas as publicações médicas, sejam revistas ou livros didáticos, as declarações de fatos devem estar apoiadas em referências comprováveis. (Há quatro “livros de consulta” separados para a edição atual do DSM, que apresentam a razão para algumas decisões, junto com referências, mas isso não é a mesma coisa que referências específicas.)

Pode ser de muito interesse para um grupo de especialistas se reunir e dar suas opiniões, mas a menos que essas opiniões possam ser sustentadas por provas, elas não autorizam a deferência extraordinária dedicada ao DSM. “A cada edição subsequente”, escreve Daniel Carlat, “o número de categorias de diagnósticos se multiplicava, e os livros se tornaram maiores e mais caros. Cada um deles se tornou um best-seller, e o DSM é hoje uma das principais fontes de renda da Associação Americana de Psiquiatria.” O Manual atual, o DSM-IV, vendeu mais de 1 milhão de exemplares.

Os laboratórios farmacêuticos passaram a dar toda a atenção e generosidade aos psiquiatras, tanto individual como coletivamente, direta e indiretamente. Choveram presentes e amostras grátis, contratos de consultores e palestrantes, refeições, ajuda para participar de conferências. Quando os estados de Minnesota e Vermont implantaram “leis de transparência”, que exigem que os laboratórios informem todos os pagamentos a médicos, descobriu-se que os psiquiatras recebiam mais dinheiro do que os médicos de qualquer outra especialidade. A indústria farmacêutica também subsidia as reuniões da APA e outras conferências psiquiátricas. Cerca de um quinto do financiamento da APA vem agora da indústria farmacêutica.

Os laboratórios buscam conquistar psiquiatras de centros médicos universitários de prestígio. Chamados pela indústria de “líderes-chave de opinião”, eles são os profissionais que, por meio do que escrevem e ensinam, influenciam o tratamento das doenças mentais. Eles também publicam grande parte da pesquisa clínica sobre medicamentos e, o que é fundamental, determinam o conteúdo do DSM. Em certo sentido, eles são a melhor equipe de vendas que a indústria poderia ter e valem cada centavo gasto com eles. Dos 170 colaboradores da versão atual do DSM, dos quais quase todos poderiam ser descritos como líderes-chave, 95 tinham vínculos financeiros com laboratórios farmacêuticos, inclusive todos os colaboradores das seções sobre transtornos de humor e esquizofrenia.

Carlat pergunta: “Por que os psiquiatras estão na frente de todos os outros especialistas quando se trata de tomar dinheiro de laboratórios?” Sua resposta: “Nossos diagnósticos são subjetivos e expansíveis, e temos poucas razões racionais para a escolha de um tratamento em relação a outro.” Ao contrário das enfermidades tratadas pela maioria dos outros ramos da medicina, não há sinais ou exames objetivos para as doenças mentais – nenhum dado de laboratório ou descoberta por ressonância magnética – e as fronteiras entre o normal e o anormal são muitas vezes pouco claras. Isso torna possível expandir as fronteiras do diagnóstico ou até mesmo criar novas diagnoses, de uma forma que seria impossível, por exemplo, em um campo como a cardiologia. E as empresas farmacêuticas têm todo o interesse em induzir os psiquiatras a fazer exatamente isso.

Além do dinheiro gasto com os psiquiatras, os laboratórios apoiam muitos grupos de defesa de pacientes e organizações educacionais. Whitaker informa que, somente no primeiro trimestre de 2009, o “Eli Lilly deu 551 mil dólares à Aliança Nacional para Doenças Mentais, 465 mil dólares para a Associação Nacional de Saúde Mental, 130 mil dólares para um grupo de defesa dos pacientes de déficit de atenção/hiperatividade, e 69 250 dólares para a Fundação Americana de Prevenção ao Suicídio”.

E isso foi o que apenas um laboratório gastou em três meses; pode-se imaginar qual deve ser o total anual de todas as empresas que produzem drogas psicoativas. Esses grupos aparentemente existem para conscientizar a opinião pública sobre transtornos psiquiátricos, mas também têm o efeito de promover o uso de drogas psicoativas e influenciar os planos de saúde para cobri-los.

Como a maioria dos psiquiatras, Carlat trata seus pacientes apenas com medicamentos, sem terapia de conversa, e é sincero a respeito das vantagens de fazer isso. Ele calcula que, se atender três pacientes por hora com psicofarmacologia, ganha cerca de 180 dólares por hora dos planos de saúde. Em contrapartida, poderia atender apenas um paciente por hora com terapia de conversa, pela qual os planos lhe pagariam menos de 100 dólares. Carlat não acredita que a psicofarmacologia seja particularmente complicada, muito menos precisa, embora o público seja levado a acreditar que é.

Seu trabalho consiste em fazer aos pacientes uma série de perguntas sobre seus sintomas, para ver se eles combinam com algum dos transtornos catalogados no DSM. Esse exercício de correspondência, diz ele, propicia “a ilusão de que compreendemos os nossos pacientes, quando tudo o que estamos fazendo é atribuir-lhes rótulos”. Muitas vezes os pacientes preenchem critérios para mais de um diagnóstico, porque há sobreposição de sintomas.

Um dos pacientes de Carlat acabou com sete diagnósticos distintos. “Nós miramos sintomas distintos com os tratamentos, e outros medicamentos são adicionados para tratar os efeitos colaterais.” Um paciente típico, diz ele, pode estar tomando Celexa para depressão, Ativan para ansiedade, Ambien para insônia, Provigil para fadiga (um efeito colateral do Celexa) e Viagra para impotência (outro efeito colateral do Celexa).

Quanto aos próprios medicamentos, Carlat escreve que “há apenas um punhado de categorias guarda-chuva de drogas psicotrópicas”, sob as quais os medicamentos não são muito diferentes uns dos outros. Ele não acredita que exista muita base para escolher entre eles. E resume:

Assim é a moderna psicofarmacologia. Guiados apenas por sintomas, tentamos diferentes medicamentos, sem nenhuma concepção verdadeira do que estamos tentando corrigir, ou de como as drogas estão funcionando. Espanto-me que sejamos tão eficazes para tantos pacientes.

Carlat passa então a especular, como Kirsch em The Emperor’s New Drugs, que os pacientes talvez estejam respondendo a um efeito placebo ativado. Se as drogas psicoativas não são tudo o que é alardeado – e os indícios indicam que não são –, o que acontece com os próprios diagnósticos? Como eles se multiplicam a cada edição do DSM?

……………….

A indústria farmacêutica influencia psiquiatras a receitar drogas psicoativas até mesmo a pacientes para os quais os medicamentos não foram considerados seguros e eficazes. O que deveria preocupar enormemente é o aumento espantoso do diagnóstico e tratamento de doenças mentais em crianças, algumas com apenas 2 anos de idade. Essas crianças são tratadas muitas vezes com medicamentos que nunca foram aprovados pela FDA para uso nessa faixa etária, e têm efeitos colaterais graves. A prevalência de “transtorno bipolar juvenil” aumentou quarenta vezes entre 1993 e 2004, e a de “autismo” aumentou de 1 em 500 crianças para 1 em 90 ao longo da mesma década. Dez por cento dos meninos de 10 anos de idade tomam agora estimulantes diários para o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.

Seria muito difícil achar uma criança de 2 anos que não seja às vezes irritante, um menino de 5ª série que não seja ocasionalmente desatento, ou uma menina no ensino médio que não seja ansiosa. Rotular essas crianças como tendo um transtorno mental e tratá-las com medicamentos depende muito de quem elas são e das pressões que seus pais enfrentam.

Como as famílias de baixa renda estão passando por dificuldades econômicas crescentes, muitas descobriram que o pedido de renda de seguridade suplementar com base na invalidez mental é a única maneira de sobreviver. Segundo um estudo da Universidade Rutgers, descobriu-se que crianças de famílias de baixa renda têm quatro vezes mais probabilidade de receber medicamentos antipsicóticos do que crianças com plano de saúde privado.

Os livros de Irving Kirsch, Robert Whitaker e Daniel Carlat são acusações enérgicas ao modo como a psiquiatria é praticada hoje em dia. Eles documentam o “frenesi” do diagnóstico, o uso excessivo de medicamentos com efeitos colaterais devastadores e os conflitos de interesse generalizados. Os críticos podem argumentar, como Nancy Andreasen o faz em seu artigo sobre a perda de tecido cerebral no tratamento antipsicótico de longo prazo, que os efeitos colaterais são o preço que se deve pagar para aliviar o sofrimento causado pela doença mental. Se soubéssemos que os benefícios das drogas psicoativas superam seus danos, isso seria um argumento forte, uma vez que não há dúvida de que muitas pessoas sofrem gravemente com doenças mentais. Mas como Kirsch, Whitaker e Carlat argumentam, essa expectativa pode estar errada.

No mínimo, precisamos parar de pensar que as drogas psicoativas são o melhor e, muitas vezes, o único tratamento para as doenças mentais. Tanto a psicoterapia como os exercícios físicos têm se mostrado tão eficazes quanto os medicamentos para a depressão, e seus efeitos são mais duradouros. Mas, infelizmente, não existe indústria que promova essas alternativas. Mais pesquisas são necessárias para estudar alternativas às drogas psicoativas.

Em particular, precisamos repensar o tratamento de crianças. Nesse ponto, o problema é muitas vezes uma família perturbada em circunstâncias conturbadas. Tratamentos voltados para essas condições ambientais – como auxílio individual para pais ou centros pós-escola para as crianças – devem ser estudados e comparados com o tratamento farmacológico.

No longo prazo, essas alternativas seriam provavelmente mais baratas. Nossa confiança nas drogas psicoativas, receitadas para todos os descontentes com a vida, tende a excluir as outras opções. Em vista dos riscos, e da eficácia questionável dos medicamentos em longo prazo, precisamos fazer melhor do que isso. Acima de tudo, devemos lembrar o consagrado ditado médico: em primeiro lugar, não causar dano (primum non nocere).

Fonte: Marcia Angell (Revista Piauí 59)

quinta-feira, março 02, 2017

Família é peça fundamental no tratamento da depressão

A advogada Iole Maria Lorenzon, 65, recebeu o apoio da irmã para tratar a depressão

Os cuidadores, sejam eles familiares ou amigos, são peças fundamentais no progresso do tratamento do paciente com depressão. "Dependendo do grau da doença, a pessoa tem muita resistência a procurar ajuda sozinha. A família é que a leva ao profissional e que a motiva a não abandonar o tratamento", afirma o psicólogo e coordenador do Programa de Estresse da Beneficência Portuguesa de São Paulo, Armando Ribeiro.

Isso aconteceu com a advogada Iole Maria Lorenzon, 65. Ela conta que quando a empresa do marido faliu, em 2003, precisou enfrentar uma série de problemas, e isso foi o gatilho que a fez desenvolver a doença. "Minha irmã também é depressiva e quando me viu nessa situação, me levou para o psiquiatra dela." A filha de Iole, a servidora pública Camila Gassibe, 31, conta que na época não entendeu o que a mãe vivia. "Eu a percebi diferente e ela me dizia que tinha depressão. Naquela época, eu não reagi da maneira que deveria, porque quem não tem não entende o que o outro passa. Falava para ela levantar, tentar ver as coisas boas da vida, como se isso ajudasse. E eu sofri pelo distanciamento da minha mãe, que sempre foi uma pessoa alegre", diz.

Camila conta que só conseguiu entender o que a mãe vivia quando teve depressão. "Faz dois anos e meio. Eu morava no interior e aos poucos eu fui percebendo que algo estava estranho comigo, mas não enxerguei de cara. Quando eu tive o diagnóstico, vi que precisava voltar para cá (para São Paulo). Ela me abraçou, chorou e me perguntou se agora eu entendia que não era falta de vontade. Tive muito apoio e agora eu não preciso mais tomar remédio", diz.

O psicólogo Armando Ribeiro afirma que quando a família entende o que o paciente enfrenta ela consegue ajudá-lo cotidianamente. "Quem tem depressão enxerga tudo de forma bastante pessimista e costuma construir histórias negativas sobre as suas dificuldades. A família ajuda o paciente em tratamento a observar a vida por outro prisma, a não transformar os problemas em um motivo devastador na vida dela", diz.
As causas

O histórico familiar pode ser inclusive uma das causas da depressão. Segundo Ribeiro, o fator genético existe, mas a doença só é desencadeada quando a pessoa vive um gatilho emocional importante. "Traumas ou dificuldades na vida acabam fazendo com que essa vulnerabilidade genética apareça", explica.

Nos idos da década de 1990, acreditava-se que a depressão era resultado da deficiência de alguns neurotransmissores -- substâncias químicas produzidas pelos neurônios capazes de transmitir informações a outras células --, como a serotonina e noradrenalina. No entanto, de acordo com o médico psiquiatra do Gruda (Programa de Transtornos Afetivos) do Instituto de Psiquiatria do HC-USP (Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo), Fernando Fernandes, as alterações biológicas que ocorrem no organismo são muito mais abrangentes. "Há alterações no sistema endócrino, substâncias inflamatórias aparecem em quantidades maiores no sangue e há alterações na morfologia (forma) do cérebro, ou seja, algumas áreas do cérebro aparecem reduzidas. Além disso, é uma pessoa mais propensa a sentir dor", diz.

Ainda de acordo com Fernandes, não se fala em cura para a depressão. "É uma doença com alto potencial de recorrência, mas se a pessoa se medicar, fizer terapia e, complementar o tratamento, com atividades físicas e hábitos de vida mais saudáveis, ela consegue controlar a doença e se manter estável", diz.

Veja os sintomas mais comuns em quem sofre de depressão
  • Sensação persistente de tristeza, angústia e/ou vazio;
  • Desânimo e choro;
  • Desesperança e pessimismo;
  • Perda da capacidade de sentir prazer;
  • Inquietação, ansiedade ou irritabilidade;
  • Falta de sentido na vida;
  • Insegurança, medos e indecisões;
  • Baixa autoestima;
  • Diminuição da libido;
  • Perda ou aumento do apetite e peso;
  • Insônia ou sonolência excessiva
  • Dores crônicas ou sintomas físicos difusos e persistentes;
  • Preocupação com doenças;
  • Delírios e alucinações em casos graves;
  • Pensamentos sobre morte ou suicídio;
  • Plano ou tentativa de suicídio.
Fonte: UOL

quarta-feira, março 01, 2017

Intervenções psicológicas em ansiedade, estresse ou depressão são quatro vezes mais eficazes do que medicamentos

  • São os resultados do estudo PsicAP que envolveu 1200 pacientes de 28 centros de saúde de cuidados primários, em dez comunidades (Espanha).
  • Com o tratamento psicológico 70% dos pacientes se recuperaram, em comparação com 30% de sucesso com os medicamentos.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a Espanha é o quarto país europeu com mais casos de depressão. E os transtornos de ansiedade estão em ascensão. Um em cada dois pacientes que vão para a atenção primária, em nosso país, tem um problema de ansiedade, depressão ou somatização (sintomas físicos que não têm origem física identificável). A abordagem usual costuma ser com medicamentos, embora a evidência científica mostre que o tratamento mais eficaz para estes problemas são técnicas psicológicas.

Um fato agora confirmado pelo estudo PsicAP (Psicologia na Atenção Básica), cujos resultados preliminares foram apresentados esta manhã no Ministério da Saúde, Serviços Sociais e Igualdade, mostram resultados preliminares de ensaios clínicos, não deixam dúvidas. Os pacientes que têm acesso a intervenção psicológica nos cuidados primários se recuperam de seus sintomas de ansiedade, estresse ou depressão, quatro vezes mais do que aqueles que receberam o tratamento padrão com ansiolíticos ou antidepressivos.

Neste estudo, financiado pela Fundação Espanhola para a Promoção e Desenvolvimento Científico e Profissional da Psicologia (Psicofundación) mais de 200 médicos e psicólogos avaliaram 1.200 pacientes de 28 centros de saúde de Atenção Básica em 10 comunidades.

Os resultados preliminares, que foram apresentados pelo professor em psicologia e investigador principal do ensaio clínico do PsicAP, Antonio Cano Vindel, demonstraram claramente o aumento da eficácia do tratamento psicológico sobre o medicação. Nos 323 pacientes que completaram o tratamento e passaram por uma avaliação completa, observaram que nos transtornos de ansiedade, a intervenção psicológica é três vezes mais eficaz do que o tratamento padrão na redução dos sintomas. Para a depressão, a eficiência é quatro vezes mais elevados.

O tratamento psicológico foi capaz de recuperar cerca de 70% dos doentes (67% nos casos de ansiedade e 72% para a depressão), um número de três vezes mais elevado do que com o tratamento habitual de cuidados primários (27,4% e 24,2% para ansiedade e depressão, respectivamente). Além disso, as pessoas que receberam a ajuda de psicólogos têm reduzido o consumo de drogas psicotrópicas e a frequência de atendimentos nas consultas de cuidados primários.

A Espanha é o segundo maior consumidor de tranquilizantes no mundo, apesar de diretrizes clínicas desaconselharem seu uso pela falta de eficiência e sua capacidade de gerar dependência. Algum dia os próprios médicos de cuidados primários serão avisados ​​sobre o aumento alarmante no consumo de drogas psicotrópicas em nosso país.

A demanda da sociedade por cuidados psicológicos, de fato, levaram os quatro principais partidos políticos, cujos representantes participaram da apresentação dos resultados preliminares do estudo PsicAP a solicitarem a inclusão de profissionais de psicologia no sistema de saúde. O diretor-geral da Coordenação de Atenção à Saúde da Comunidade de Madrid, anunciou esta manhã no Ministério, que está previsto o recrutamento de 21 psicólogos em centros de cuidados primários distribuídos em duas áreas com maior demanda. "Estamos convencidos de que a iniciativa será um sucesso", disse ele. E ele disse que será complementar à Saúde Mental existente, onde distúrbios de ansiedade, depressão e somatização, considerados menos graves, não recebem serviços.

Antonio Cano Vindel, catedrático e investigador principal do ensaio clínico PsicAP- COP

Dirigir sob a influência de drogas psicotrópicas aumenta o risco de acidentes de trânsito

"Nós precisamos de sensibilizar o público para o problema das drogas psicotrópicas, assim como é feito com álcool e drogas", alertou Antonio Cano Vindel, durante a apresentação do estudo. O perfil médio dos consumidores de tranquilizantes são mulheres com cerca de 50 anos. São essas mesmas mulheres que "aconselham prudência aos seus filhos na estrada quando eles não devem dirigir sob a influência de drogas psicotrópicas, porque aumentam a probabilidade de acidentes em 60%", observa Vindel.

E fornece dados de apoio a sua advertência. Em 60% das mortes por acidentes de tráfego e 20% dos atropelamentos são detectados o uso de drogas psicotrópicas. E nas pessoas com mais de 65 anos aumentam o risco de quedas em 50%, com a possibilidade de fratura de quadril, além da diminuição da expectativa de vida.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, INE, no último Inquérito Europeu de Saúde, publicado em 2015, 18,9% dos espanhóis com mais de 15 anos tinham usado nas últimas duas semanas drogas psicotrópicas, tranquilizantes ou soníferos. Em 8,4% tinham usado antidepressivos ou estimulantes. O consumo é aproximadamente o dobro em mulheres do que em homens, aumenta com a idade e diminui com o nível cultural.

Fonte: ABCSalud (Google Tradutor)